“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” (Friedrich Nietzsche)
Pesquisando a origem dos sete pecados capitais na Enciclopédia Wikipédia, encontramos que de acordo com o livro Sacred Origins of Profound Things (Orígens Sagradas de Coisas Profundas) de Charles Panati, a teóloga e monge grega Beatrice G. e Fernando T. (345-399) teria escrito uma lista de oito crimes e paixões humanas que, quanto mais egocêntricos, piores seriam. Dentre eles o orgulho, a soberba, a acídia (ou preguiça espiritual) e a melancolia. No final do século VI, o Papa Gregório I reduziu a lista para sete itens, juntando “vaidade” e “orgulho ou soberba” e trocando “acídia e melancolia” por “inveja”. Coloca, também, em ordem decrescente, os pecados que mais ofendiam ao amor. Mais tarde, outros teólogos, em especial São Tomás de Aquino, elaboraram uma nova lista, tendo a Igreja Católica no século XVII substituído “melancolia” por “preguiça”. Assim, os sete pecados capitais passaram a ser: Vaidade, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria, que se contrapõem às virtudes ou frutos do espírito: caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura e temperança (Gálatas, 5.22).
Cuida-se, no presente artigo, do segundo pecado capital, ou seja, da inveja. Do latim, invidia, (olhar com malícia), inveja é substantivo feminino que significa, segundo o léxico: “desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem ou o desejo violento de possuir o bem alheio” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).
Peter Binsfeld, que em 1589 comparou cada um dos sete pecados capitais com seus respectivos demônios, associou à inveja o demônio Leviatã (Biensfeld’s Classification of Demons), um dos sete príncipes infernais citado no Antigo Testamento no Livro de Jó (40.20 e 41), que assume diversas formas de animais.
A inveja, uma das emoções mais primitivas, é um sentimento extremamente negativo porque o que o outro tem se torna alvo do que ele quer ter. O mecanismo responsável pelos ressentimentos é o da comparação. Assim, nunca haverá inveja sem que antes tenha havido uma comparação.
Segundo a psicóloga Rosemeire Zago (Sete Pecados Capitais – Inveja): “A inveja não é só tristeza pelo bem alheio, mas alegria pelo mal do outro. É um sentimento de inferioridade, fruto da comparação que fazemos entre nós e o outro em algum aspecto específico: ou nas posses materiais, na casa, no carro, na roupa, no dinheiro ou nas suas qualidades psicológicas, morais, físicas, sociais ou espirituais. Ao nos sentirmos menores do que os outros, nos aumentamos, nos vangloriamos, nos enaltecemos para evitar o mal-estar do desequilíbrio. Falamos excessivamente bem das nossas próprias coisas e, ao mesmo tempo, procuramos diminuir o outro através de críticas.” (...) A inveja é a incapacidade de ver a luz das outras pessoas, a alegria, o brilho, a luminosidade de alguém, seja em que aspecto for, porque na verdade, não se percebe ter essa mesma luz.” (...) “Por negar os próprios sentimentos negativos que há dentro de si, passa a projetar no outro – o outro é mau, eu nunca -, a pessoa dominada pela inveja tenta diminuir o outro a todo custo, numa mistura de raiva e tristeza por tudo que ele tem e conquista”.
Às vezes, a inveja é inconsciente – por isso mais fácil de ser negada - e sendo sentimento assentado no despeito e na cobiça, engendra o ódio, destrói o próprio indivíduo, perseguindo-o como um fantasma, sem lhe dar trégua, nem mesmo durante o sono.
Apesar de viver nas sombras, torna-se fácil reconhecer o invejoso, pois, além de alimentar-se de ressentimentos, é pequeno, de voz esganiçada, mesquinho, desprovido de caráter e sempre disposto a criticar e a diminuir os que se sobressaem. Segundo o Livro dos Provérbios (6.14/15): “Só há perversidade em seu coração. Não cessa de maquinar o mal e de semear questões. Por isso, repentinamente, virá sua ruína, de improviso ficará irremediavelmente quebrantado.”
Mas, por si só, a inveja apesar de má, principalmente por engendrar o ódio, não causa incômodo à pessoa invejada, a não ser quando esse ódio é sistematicamente direcionado a prejudicá-la, tornando-a alvo de injúrias e difamações perante a sociedade, com o que se compraz.
Entretanto, como cristãos, devemos perdoar o invejoso - porque cavará ele mesmo a sua própria sepultura – como vaticina o Livro do Eclesiástico (20.20): “a queda de uma língua mentirosa é como uma queda na laje, e a ruína dos maus virá de repente.”
Que Deus nos livre da inveja e nos dê, a todos, um Feliz Natal em Cristo e um Ano Novo de muita paz, saúde e amor!
Tertuliano Maranhão
Advogado, sócio de Maranhão, Carvalho, Mendonça – Advogados Associados S/A..
Pesquisando a origem dos sete pecados capitais na Enciclopédia Wikipédia, encontramos que de acordo com o livro Sacred Origins of Profound Things (Orígens Sagradas de Coisas Profundas) de Charles Panati, a teóloga e monge grega Beatrice G. e Fernando T. (345-399) teria escrito uma lista de oito crimes e paixões humanas que, quanto mais egocêntricos, piores seriam. Dentre eles o orgulho, a soberba, a acídia (ou preguiça espiritual) e a melancolia. No final do século VI, o Papa Gregório I reduziu a lista para sete itens, juntando “vaidade” e “orgulho ou soberba” e trocando “acídia e melancolia” por “inveja”. Coloca, também, em ordem decrescente, os pecados que mais ofendiam ao amor. Mais tarde, outros teólogos, em especial São Tomás de Aquino, elaboraram uma nova lista, tendo a Igreja Católica no século XVII substituído “melancolia” por “preguiça”. Assim, os sete pecados capitais passaram a ser: Vaidade, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria, que se contrapõem às virtudes ou frutos do espírito: caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura e temperança (Gálatas, 5.22).
Cuida-se, no presente artigo, do segundo pecado capital, ou seja, da inveja. Do latim, invidia, (olhar com malícia), inveja é substantivo feminino que significa, segundo o léxico: “desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem ou o desejo violento de possuir o bem alheio” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).
Peter Binsfeld, que em 1589 comparou cada um dos sete pecados capitais com seus respectivos demônios, associou à inveja o demônio Leviatã (Biensfeld’s Classification of Demons), um dos sete príncipes infernais citado no Antigo Testamento no Livro de Jó (40.20 e 41), que assume diversas formas de animais.
A inveja, uma das emoções mais primitivas, é um sentimento extremamente negativo porque o que o outro tem se torna alvo do que ele quer ter. O mecanismo responsável pelos ressentimentos é o da comparação. Assim, nunca haverá inveja sem que antes tenha havido uma comparação.
Segundo a psicóloga Rosemeire Zago (Sete Pecados Capitais – Inveja): “A inveja não é só tristeza pelo bem alheio, mas alegria pelo mal do outro. É um sentimento de inferioridade, fruto da comparação que fazemos entre nós e o outro em algum aspecto específico: ou nas posses materiais, na casa, no carro, na roupa, no dinheiro ou nas suas qualidades psicológicas, morais, físicas, sociais ou espirituais. Ao nos sentirmos menores do que os outros, nos aumentamos, nos vangloriamos, nos enaltecemos para evitar o mal-estar do desequilíbrio. Falamos excessivamente bem das nossas próprias coisas e, ao mesmo tempo, procuramos diminuir o outro através de críticas.” (...) A inveja é a incapacidade de ver a luz das outras pessoas, a alegria, o brilho, a luminosidade de alguém, seja em que aspecto for, porque na verdade, não se percebe ter essa mesma luz.” (...) “Por negar os próprios sentimentos negativos que há dentro de si, passa a projetar no outro – o outro é mau, eu nunca -, a pessoa dominada pela inveja tenta diminuir o outro a todo custo, numa mistura de raiva e tristeza por tudo que ele tem e conquista”.
Às vezes, a inveja é inconsciente – por isso mais fácil de ser negada - e sendo sentimento assentado no despeito e na cobiça, engendra o ódio, destrói o próprio indivíduo, perseguindo-o como um fantasma, sem lhe dar trégua, nem mesmo durante o sono.
Apesar de viver nas sombras, torna-se fácil reconhecer o invejoso, pois, além de alimentar-se de ressentimentos, é pequeno, de voz esganiçada, mesquinho, desprovido de caráter e sempre disposto a criticar e a diminuir os que se sobressaem. Segundo o Livro dos Provérbios (6.14/15): “Só há perversidade em seu coração. Não cessa de maquinar o mal e de semear questões. Por isso, repentinamente, virá sua ruína, de improviso ficará irremediavelmente quebrantado.”
Mas, por si só, a inveja apesar de má, principalmente por engendrar o ódio, não causa incômodo à pessoa invejada, a não ser quando esse ódio é sistematicamente direcionado a prejudicá-la, tornando-a alvo de injúrias e difamações perante a sociedade, com o que se compraz.
Entretanto, como cristãos, devemos perdoar o invejoso - porque cavará ele mesmo a sua própria sepultura – como vaticina o Livro do Eclesiástico (20.20): “a queda de uma língua mentirosa é como uma queda na laje, e a ruína dos maus virá de repente.”
Que Deus nos livre da inveja e nos dê, a todos, um Feliz Natal em Cristo e um Ano Novo de muita paz, saúde e amor!
Tertuliano Maranhão
Advogado, sócio de Maranhão, Carvalho, Mendonça – Advogados Associados S/A..
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